EVENTOS ADVERSOS APÓS A VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 EM LUANDA, ANGOLA
Palavras-chave:
Angola, COVID-19, Eventos Adversos Pós-Vacinação, Luanda, VacinasResumo
Introdução: O estudo investigou os eventos adversos pós-vacinação contra a COVID-19 em Luanda, Angola, de 2021 a 2022. O objetivo foi entender a frequência e a gravidade desses eventos na população vacinada.
Métodos: Tratou-se de um estudo observacional descritivo transversal com abordagem quantitativa. A população incluiu 7.635.992 indivíduos vacinados na província de Luanda, com 1.447 notificações de eventos adversos pós-vacinação. Foram analisadas 1.119 fichas de notificação, excluindo duplicações e dados incompletos. Os dados foram processados usando os softwares EPI-INFO 7.2.5.0 e SPSS versão 29.
Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (65.1%) e com idades entre 30 e 39 anos (33%). Dos casos analisados, (68,3%) apresentaram eventos adversos leves, (31%) foram moderados e (0,7%) graves. A cefaleia foi o efeito mais frequente, seguida de sonolência ou tontura. A maioria dos eventos foi associada à AstraZeneca (70,62%), enquanto a Pfizer representou (10,71%), com percentuais menores para a Sinopharm e Sputnik V. A Pfizer foi a vacina mais administrada, mas a AstraZeneca teve o maior número de notificações de eventos adversos.
Conclusão: A maioria dos eventos adversos pós-vacinação contra a COVID-19 em Luanda foram leves e moderados, com predominância em mulheres e na faixa etária de 30 a 39 anos. Embora a vacina Pfizer tenha sido a mais administrada, a AstraZeneca foi associada ao maior número de notificações de eventos adversos. Os resultados reforçam a segurança das vacinas, com poucos eventos graves registados.
ABSTRACT
Introduction: The study investigates adverse events following COVID-19 vaccination in Luanda, Angola, from 2021 to 2022. The objective is to understand the frequency and severity of these events in the vaccinated population.
Methods: This is a descriptive, cross-sectional observational study. The study population included 7,635,992 individuals vaccinated in the province of Luanda, with 1,447 notifications of post-vaccination adverse events. A total of 1,119 notification forms were analyzed, excluding duplicates and incomplete data. The data were processed using EPI-INFO 7.2.5.0 and SPSS version 29 software.
Results: Most participants were aged between 30 and 39 years (33%), and 65.1% were female. Of the 1,119 cases analyzed, 68.3% experienced mild adverse events, 31% were moderate, and 0.7% were severe. Headache was the most frequent effect, followed by drowsiness or dizziness. Most events were associated with AstraZeneca (70.62%), while Pfizer accounted for 10.71%, with lower percentages for Sinopharm and Sputnik V. Pfizer was the most administered vaccine, but AstraZeneca had the highest number of adverse event reports.
Conclusion: Most post-COVID-19 vaccination adverse events in Luanda were mild and moderate, predominantly affecting women and individuals aged 30 to 39. Although Pfizer was the most administered vaccine, AstraZeneca was associated with the highest number of reported adverse events. The results support the overall safety of the vaccines, with few severe events recorded.
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